pensando na vida, segunda parte

Continuando o papo sobre responsabilidade social, vamos pensar agora sobre o Desenvolvimento Sustentável. Afinal, wtf?

Acho que, nessa altura do campeonato, todo mundo já percebeu que vivemos numa sociedade de consumo, e que somos estimulados para consumir além do necessário. Ansiamos pelo excesso e pelo supérfluo.

Até aí tudo bem, cada um gasta seu dinheiro como bem entender. Só que a produção cada vez maior de bens e produtos exige uma quantidade também maior de matéria-prima, pondo em risco as reservas naturais do planeta. É nessa hora que o problema do outro se torna problema de todos.

Justamente dentro desse contexto que entra o conceito do desenvolvimento sustentável, oferecendo uma outra perspectiva sobre o papel do ser humano no mundo.

Ele propõe o desenvolvimento social e econômico em harmonia com as limitações ecológicas do planeta, ou seja, sem destruir o ambiente, para que as gerações futuras tenham a chance de existir e viver bem, de acordo com suas necessidades. Definições mais atuais também incluem a proteção da sociodiversidade e a valorização da diversidade cultural.


Essa idéia pode sair do papel através do consumidor consciente, que compreende os limites dos processos de produção e avalia o impacto de seus impulsos consumistas.

Assim, conhecimento e bom senso são aplicados no dia-a-dia. Pode ser na hora da compra, escolhendo um produto orgânico e rejeitando um produto na embalagem de isopor (que é muito tóxico). Pode ser cobrando políticas públicas que estimulem uma melhor distribuição de renda, como a criação de redes de economia solidária, por exemplo.

Não precisamos abrir mão da qualidade de vida para conseguirmos a qualidade ambiental. Basta um pouco de sabedoria e do resgate de valores éticos para reduzirmos os impactos que prejudicam a nós mesmos e ao planeta.

Pensando na vida, primeira parte

O GOMA sempre dialogou com as ferramentas de desenvolvimento sustentável como o consumo consciente, a reutilização de materiais, e a moeda complementar.

Neste ano de 2010 vamos inserir essas propostas dentro no nosso Espaço e começar a implantação de um programa de minimização de impacto ambiental. Será um processo gradual, inspirado nas propostas do Consumo Consciente.

O Consumo Consciente – em oposição ao consumo impulsivo e sem reflexão – permite transformar o ato da compra em uma ferramenta de mudança social. Já que consumir implica não apenas a compra, mas também o uso e o descarte.

Assim, opções embutidas em ações individuais e cotidianas de compra e consumo, podem tornar-se um instrumento transformador da sociedade ao longo de uma vida e contribuir para a preservação do planeta e das espécies animais, vegetais e minerais que vivem nele, inclusive o ser humano.

Foto: poema visual de Marcelino Freire, do livro eraOdito.

Como isso é possível? Vamos começar utilizando princípios básicos, os 3R: primeiro pensar em todas as maneiras de REDUZIR o lixo, depois, REAPROVEITAR tudo o que for possível, e só depois enviar materiais para RECICLAR. Deste modo diminuiremos muito nossa geração de lixo.

Na prática, começaremos uma campanha para a substituição das garrafas Long Neck pelas cervejas em lata. Sim, long neck é mais bonita e confortável, mas pensem bem:

A reciclagem do METAL é ambientalmente muito interessante, pois evita a retirada de minérios do solo, minimizando o impacto ambiental da atividade mineradora, além de reduzir em muito o volume de água e energia necessários para a produção de novos artigos.

Esse princípio vale para todos os tipos de metal, entretanto há maior interesse reciclador na indústria de embalagens de alumínio, o que determina aumento no valor de venda do material. Por esse motivo (e também devido à situação atual de desemprego) o Brasil é atualmente um dos campeões mundiais na reciclagem de alumínio, coletadas na sua maior parte por catadores autônomos.

Já a reciclagem do VIDRO é restrita devido ao pouco interesse econômico demonstrado pela indústria vidreira em adquirir os vidros descartados. As exigências para coleta do vidro são muitas (por exemplo, a armazenagem de um volume muito grande para retirada) e o preço de comercialização é muito baixo.

Com isso, o GOMA chega a produzir, em um único fim de semana, 500kg de lixo (basicamente garrafas) que, na melhor das hipóteses, vão parar no Aterro Sanitário da cidade, causando outro problema ambiental, já que a degradação do vidro demora centenas de anos.

Comprando a latinha em vez da garrafa, vocês curtem a balada na boa, sem abrir mão da responsabilidade social.

* Aprofundando o assunto: Instituto Akatu e Instituto Gea