Cultura em Movimento - Parte 2

2/20/2008 07:24:00 PM - Victor Maciel

por Victor Maciel
Blog Via Marginal
Coletivo de Comunicação e Mídia Independente GOMA

Ainda na ressaca da 1ª Noite Rock Monstro Discos, no dia antorior, quando MQN e Motherfish puseram a casa abaixo, um grupo considerável de músicos, blogueiros, comunicadores, produtores e técnicos de som de Uberlândia e região se reuniram no Goma Cultura em Movimento no último domingo (17), dia histórico para a cultura independente da cidade. A intenção era corresponder a uma expectativa nacional com relação à efervescente cena local, que já ecoa Brasil afora e tem a necessidade urgente de, finalmente, se articular de fato e, efetivamente, se consolidar.

Entretanto, pra começar a contar esta história, é fundamental voltar no tempo, pelo menos, uns 10 anos. Fim da década de 1990, Era de Ouro do chamado “jabá”, quando Uberlândia nada mais era do que a terra do Alexandre Pires e a aversão à música autoral dentro da própria cidade era o grande obstáculo a ser enfrentado por quem ousava tal atrevimento.

E, como louco, pra nossa felicidade, tem em todo lugar, em Uberlândia, especialmente em nossa Universidade Federal – UFU -, não havia de ser diferente. Pelos corredores, saguões, praças e redondezas de pés de jambolões do campus universitário, alguns desses “atrevidos” arriscavam suas primeiras composições. Foi nesse contexto que a banda Porcas Borboletas nasceu e o programa Escombro, da Rádio Universitária, surgiu, se tornando a primeira ferramenta para a difusão desses novos sons para além dos muros da Universidade.

Os anos passam e tem-se a tomada de consciência para a articulação com uma galera que já fazia da música independente uma realidade em cidades fora do eixo Rio-São Paulo. É quando, em 2005, é concebida a Jambolada – primeiro festival de música independente de Uberlândia – que reúne na cidade gente que já desenvolvia ações semelhantes em outros lugares - como o Espaço Cubo, em Cuiabá e a Monstro Discos, em Goiânia – e traz bandas de São Paulo, Goiás e Pernambuco, além de se tornar uma vitrine formidável para bandas locais.

Foi ali o embrião dos hoje já consolidados e cada vez mais crescentes Circuito Fora do Eixo e ABRAFIN – Associação Brasileira de Festivais Independentes. Além de ter sido o empurrão que faltava para Uberlândia começar a fazer barulho nacionalmente. Quarenta dias depois da Jambolada, a banda uberlandense Dead Smurfs tocava no Goiânia Noise Festival e em fevereiro de 2006, o Porcas Borboletas desembarcava em Cuiabá para tocar no Grito Rock.

Os anos seguintes foram de afirmação do Circuito Fora do Eixo e da ABRAFIN, com Uberlândia sempre tendo importância decisiva nos rumos desta articulação nacional, estruturada a partir de modelos de gestão participativa.

A franca ascensão da música independente no país refletiu em Uberlândia e atingiu seu auge em setembro de 2007. A 3ª edição da Jambolada, já o maior festival independente de Minas Gerais, reuniu na cidade artistas, produtores e comunicadores do Rio Grande do Sul ao Acre e, de forma inédita, chamou a atenção do país inteiro para esse lugar que parece ser muito bacana.

Três meses depois, aproveitando a justa empolgação causada pela Jambolada, é inaugurado o Goma Cultura em Movimento, espaço multifuncional para apresentações artísticas, convivência e fomento de políticas públicas para a cultura, um passo gigantesco para a consolidação de Uberlândia enquanto pólo nacional de cultura independente, status absolutamente impensável há não mais que uma década.

E é neste momento chave, em que o Brasil todo se volta para Uberlândia e busca aqui alguma contrapartida no que tange à articulação cultural independente, que a cena da cidade dá continuidade ao seu acelerado processo de crescimento nos últimos anos, incentivada pelo intercâmbio recente com outras cenas proporcionado pelo Grito Rock 2008, tomando consciência de sua posição de liderança e chamando para si a responsabilidade de se consolidar, de fato, como referência para Minas Gerais e outras regiões.

Foi com essa pretensão que, na tarde-noite do último domingo, o Núcleo de Produção Independente de Uberlândia foi finalmente constituído, visando o fortalecimento e a auto-sustentação da cena independente em Uberlândia, além de buscar fomentar iniciativas semelhantes em outras cidades da região. O Núcleo atuará a partir de 4 coletivos:

Coletivo Cultural: composto por bandas independentes com trabalhos autorais;

Coletivo de Comunicação: composto por diversas mídias da Internet, zines e demais comunicadores dispostos a difundir a cultura independente;

Coletivo de Produção: composto por produtores de eventos;

Coletivo de Sonorização: composto por técnicos deste setor.

O Brasil chamou e Uberlândia respondeu: aqui, a cultura está em movimento!

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